domingo, 9 de setembro de 2007




As Metamorfoses do Vampiro
(de Baudelaire)

E no entanto a mulher, com lábios de framboesa,
Coleando qual serpente ao pé da lenha acesa,
E o seio a comprimir sob o aço espartilho,
Dizia, a voz imersa em bálsamo e tomilho:
-“A boca úmida eu tenho e trago em minha ciência
De no fundo de um leito afogar a consciência.
Sou como, a quem vê sem véus a imagem nua,
As estrelas, o sol, o firmamento e a lua!
Tão douta na volúpia eu sou, queridos sábios,
Quando um homem sufoco à borda dos meus lábios
Ou quando o seio oferto ao dente que mordisca,
Ingênua ou libertina, apática ou arisca,
Que sobre tais coxins macios e envolventes
Perder-se-iam por mim os anjos impotentes!”
Quando após me sugar dos ossos a medula,
Para ela me voltei já lânguido e sem gula
À procura de um beijo, uma outra eu vi então
Em cujo ventre o pus se unia à podridão!
Os dois olhos fechei em trêmula agonia,
E ao reabri-los depois, à plena luz do dia,
A meu lado, em lugar do manequim altivo,
No qual julguei ter visto a cor do sangue vivo,
Pendiam do esqueleto uns farrapos poeirentos,
Cujo grito lembrava a voz dos cata-ventos
Ou de uma tabuleta à ponta de uma lança,
Que nas noites de inverno ao vento se balança.

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Não tenho nome

Eu tenho sede

Alimento tua fantasia

Eu tenho fome

Eu tenho em mente

Uma

Grande orgia



Paulo Miklos
Vivo
Lenine / Carlos Rennó

Precário, provisório, perecível
Falível, transitório, transitivo
Efêmero, fugaz e passageiro:
Eis aqui um vivo
Eis aqui um vivo
Impuro, imperfeito,
impermanente
Incerto, incompleto, inconstante
Instavel, variável, defectivo
Eis aqui um vivo
Eis aqui
E apesar

Do tráfico, do tráfego equívoco,
Do tóxico do trânsito nocivo;
Da droga do indigesto digestivo;
Do câncer vir do cerne do ser vivo;
Da mente, o mal do ente coletivo;
Do sangue, o mal do soropositivo;
E apesar dessas e outras,
O vivo afirma, firme e afirmativo:
"O que mais vale a pena é estar vivo"
Não feito, não perfeito, não completo,

Não satisfeito nunca, não contente,
Não acabado, não definitivo:
Eis aqui um vivo
Eis me aqui

Nossos corpos
Entrelaçados
Encontro de pele com pele
Agora jaz rochedos
Lava da nossa fusão

domingo, 2 de setembro de 2007

Um lugar

Um caminho

Uma lembrança

Um desejo

Uma lamentação

Adios



Teu corpo gira, rodopia


Trejeitos que inspira


Guitarra sem medo urra


Tensão abraça soberanamente


Tango flamencamente


Disputo teu corpo e ser


Sem mais desculpas e


fugas...




Mini-poema


Corpos
Silêncio
Suspiros
Toques
Ousadia
Conluio
Sexo
Êxtase